Iniciou-se em abril de 1958, quando Elizete Cardoso gravou o disco Canção do Amor Demais, em parceria com um selo não-comercial chamado Festa.
O disco continha canções do maestro Antonio Carlos Jobim em parceria com Vinícius de Moraes. O desconhecido músico João Gilberto acompanhava a cantora ao violão com sua batida diferente em duas faixas: Chega de Saudade e Outra Vez.
O disco não fez nenhum sucesso, mas foi consagrado como o marco inaugural da Bossa Nova, pois continha seus elementos fundantes: a música de Tom, as letras de Vinícius e a batida de João.
Três meses depois, João Gilberto grava pela Odeon seu disco de 78 rotações com o samba Chega de Saudade e o baião Bim-bom. Era época de copa, no momento em que todos estavam contagiados por "A Taça do Mundo é Nossa", o disco ultrapassou essa febre e foi o recordista de vendas daquele ano.
Dava-se início à aquilo que iria conquistar a Nação e o Mundo, o jeito de tocar e cantar mansinho que ensolarou o Rio de Janeiro.
João Gilberto, Tom Jobim, Vinicíus de Moraes, Newton Mendonça, Nara Leão (seu apartamento foi o berço do movimento), Carlinhos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Boscoli, Billy Blanco, Johnny Alf, Sylvinha Teles, entre outros, protagonizaram o movimento. Com eles vieram vários sucessos como Desfinado, Eu Sei Que Vou Te Amar, Lobo Bobo, Corcovado, O Barquinho, o maior de todos Garota de Ipanema e outros muitos.
"A Bossa Nova mudou o conceito da música brasileira. Introduziu a vanguarda, com elementos de jazz e música erudita. Trouxe mudanças harmônicas, melódicas, rítmicas e poéticas", explica o jornalista e crítico musical Tárik de Sousa, co-autor de Tons sobre Tom, uma biografia de Tom Jobim, publicada pela editora Revan. Segundo ele, o movimento veio acompanhado de novos comportamentos da própria sociedade. Bossa Nova estava na moda e refletia o otimismo do governo de Juscelino Kubitschek.
O ápice do movimento se deu em 1962, em Nova Iorque, no Concerto no Carnegie Hall. Toda a Bossa Nova desembarcou na Big Apple. Três mil pessoas lotaram o lugar na noite de 21 de novembro. O show marcou o ínicio do êxodo bossanovista para o exterior.
A diáspora foi natural, já que o acirramento político no pré-Golpe de 1964, deixou por fora o amor o sorriso e a flor, que se transformaram em carcarás, arrastões e cálices.
A Bossa Nova "durou pouco e nunca morreu".
*Leia: Chega de Saudade de Ruy Castro pela Companhia das Letras.
*Assista: Desafinados(em cartaz nos cinemas)